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Educar para Crescer - Aprendizagem

Lições da Copa

Oswaldo da Cruz (*)
Como todo mundo está escrevendo sobre a Copa, eu também vou escrever!
Certamente não terei o brilhantismo dos jornalistas, blogueiros e comentaristas versados nas palavras e na experiência das redações.
Eu o farei na visão de um educador, um instrutor de Qualidade Total. Uma pessoa que trabalha com jovens que estão sendo formados para se tornarem cidadãs e cidadãos de uma grande nação, jovens trabalhadores, futuros profissionais bem sucedidos.
Vamos a algumas das lições que esta Copa nos ensinou:
1.       Estatística não ganha jogo: acho muito engraçado quando os comentaristas de TV ficam lendo estatísticas sobre os times, como se a vida fosse uma coisa estática, como se os elencos continuassem os mesmos, as situações idem, o ambiente idem.
Bobagem.
Também na vida é assim: frases como “quase ninguém consegue”; “todos já tentaram”; “na nossa família é sempre assim” e outras, só servem para justificar os derrotados e impedir que os novos se lancem às conquistas. Estatísticas servem para muita coisa: Economia, Matemática, Probabilidades, mas não são verdades absolutas.
2.       “Camisa” influencia no jogo: é outra falácia que os “entendidos” gostam de colocar (“o peso da camisa”). A camisa pode ser vestida por qualquer um. Atletas bem preparados, equipes bem entrosadas, estratégia bem planejada... isso ganha jogo.
Na vida também é assim: não adianta vir de uma escola bem conceituada se for preguiçoso(a); não adianta ser inteligente se não for esforçado(a). “Camisa” pesa muito pouco: o que pesa é talento, esforço, competência. Isso pesa e faz a diferença.
3.       Marketing é bom... até certo ponto. Depois desse ponto vira “propaganda enganosa”. O marketing ajuda a promover o bom produto.
Se o produto não é bom, o cliente logo percebe e, sentindo-se enganado, vira-se contra o produto e, não, contra quem fez a propaganda ilusionista.
Nesta Copa vimos tantos atletas muito elogiados mas, que “na hora H” não corresponderam...
Na vida profissional, principalmente, isso é absolutamente verdadeiro: quantas pessoas alardeiam muito mais do que realmente podem e se comprometem com uma imagem que não podem sustentar; e, isso, o mercado de trabalho não perdoa. Portanto, se colocou no currículo que tem inglês fluente, por exemplo, não chegue na entrevista apenas com  o verbo “To Be” ou algo do tipo “more or less”.
4.       Treinar, treinar e treinar. E depois que o treino acaba, treine mais um pouco, como fazia Pelé, que ficava após os treinos, exercitando cabeçadas, voleios, etc...
Na vida é exatamente dessa forma: estar preparado é a melhor maneira de não ser surpreendido desfavoravelmente mas, se apesar de tudo, a sorte vira de lado (e isso acontece também, porque a sorte faz parte do jogo e da vida) você estará certo de que fez tudo o que poderia fazer. Nunca acredite que já sabe tudo sobre determinado assunto, porque não sabe. Pode saber muito, mas não sabe tudo.

5.       Às vezes o que resta é chorar. Ao contrário do que diz o ditado popular, homem chora, sim. Tem horas em que tudo o que nos resta é chorar, pela oportunidade perdida, pela entrada errada, pela saída errada, pelo que tinha que ser e não foi, pelo que foi e não poderia ser...
Na vida é assim, também: tem vezes em que tudo o que resta é desabafar aquele ressentimento contido, na forma de lágrimas; estas ficam gravadas em nossa memória e vamos fazer de tudo, na próxima vez, para que, se chorarmos, será de alegria!
6.       O jogo só acaba no apito final. Nenhum jogo é ganho ou perdido antes do apito final, por mais promissores ou desfavoráveis que sejam os prognósticos. Já sabemos o que ocorre, quase sempre quando se entra em campo com o “já ganhou” na cabeça ou para “jogar pelo empate”.
Na vida, quando a pessoa subestima seus desafios não se prepara adequadamente e, na maioria das vezes é surpreendida. Ao contrário, quando apenas faz o “suficiente” para manter um cargo ou função, geralmente é substituída por alguém mais comprometido.
7.       “Em time que está ganhando não se mexe”. Bobagem! Se mexe sim, para se adaptar e para continuar ganhando. O que valia há um ano atrás, hoje pode não valer mais. O que você sabia e te possibilitou chegar aonde está, provavelmente não vai te permitir chegar mais adiante. Tem que estudar mais, praticar mais, se esforçar mais.
8.       As relações mudam constantemente, dependendo das necessidades de cada. O adversário de ontem pode ser o aliado de hoje. Isto é verdade na guerra, no Futebol e na vida, tanto na sociedade como em uma empresa. Portanto, não passe o tempo cultivando inimizades. Seja profissional.
9.       Tenha FOCO. Esse deveria ser o mantra de todos aqueles que querem ter sucesso, seja no futebol, ou numa profissão:  “QUERO TER FOCO”. Ter objetivo definidos e metas precisas para alcançá-los. Como diz o velho provérbio: “Para quem não sabe aonde ir, qualquer caminho serve”!
10.   E, talvez a lição chave para a vida de qualquer pessoa. Eis a fábula: um certo rei chamou um de seus maiores sábios e pediu-lhe que escrevesse uma frase que resumisse toda a verdade da vida. Essa frase seria o seu lema, como monarca. Depois de muito pensar, o sábio escreveu: “ISTO TAMBÉM PASSARÁ”. Isso resume a dinâmica de nossa vida: está feliz, tudo está dando certo: “ISTO TAMBÉM PASSARÁ”; está angustiado, as coisas não andam como deveriam, está sem esperanças: “ISTO TAMBÉM PASSARÁ”. Por isso, trate bem a todos quando estiver subindo ou no topo; você os verá novamente, quando estiver descendo.
É isso. Foram muitas as lições desta Copa. Alinhavei apenas algumas. Espero que sirva para a nossa reflexão.
(*) Oswaldo da Cruz é Supervisor de Qualidade, Técnico em Eletrônica e Administração.

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